As perguntas que deve fazer 6 semanas após o parto

As perguntas que deve fazer 6 semanas após o parto 

Quem já teve um bebé ou está prestes a ter, possivelmente, está familiarizada com a frase do ginecologista/obstetra “vemo-nos seis semanas depois do parto”. De repente pode parecer muito tempo. É um mês e meio! Mas, se pensarmos que a gravidez demorou nove meses e as primeiras semanas de um bebé em casa são… desafiantes, até parece um período “justo”!

Mas o que vai acontecer nessa consulta?

Existem três componentes chave nesse encontro com o médico. Será feito um balanço das primeiras semanas, com análise de recuperação pós-parto, principalmente se houve sutura. É feito um exame físico, a citologia, e é tida uma conversa sobre os métodos de contraceção disponíveis para esta fase da vida.

Mas, desmistificando o assunto, que questões podem surgir por esta altura?

1. Estar tudo bem clinicamente não significa que se sinta “normal”

Uma coisa é o corpo estar a reagir bem ao processo e a recuperação física estar bem encaminhada, outra é sentir-se a 100%. Muitas vezes, quando o médico diz que está “perfeito” fica a ideia de que não vão existir desconfortos, nem dores… não é bem assim.

Para quem fez uma cesariana ou episiotomia há que ter em conta que existem tecidos que precisam de cicatrizar e isso demora mais do que 6 semanas.

Claro que cada corpo tem o seu tempo e nuns casos os processos são mais rápidos que outros. É importante ter em conta o seu próprio timing e ouvir o seu corpo antes de se precipitar em questões como a prática de desporto ou voltar à sua atividade sexual.

Um tecido ainda em processo de cicatrização pode inflamar ou até ceder, voltando a ser necessário o tempo de regeneração e de fecho da cicatriz.

Deve, por isso, perguntar ao seu médico na consulta pós-parto, quando deve regressar à sua atividade física e sexual. A resposta irá envolver, certamente, o termo “bom-senso”. Que é bem necessário, aliás, a pressa nunca foi amiga da perfeição!

Se sentir desconforto, dor ou algum tipo de ardor quando regressar à sua atividade sexual, por exemplo, deve comentar com o médico.

E nota importante: desligue-se da pressão social porque aquela ou a outra artista estão fabulosas passados dois dias de terem um bebé… não somos todos iguais e ainda bem! Já imaginou um mundo todo com a mesma cor? Que aborrecido! 

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2. Sangramento persistente, é normal?

As hemorragias são mais abundantes nos primeiros dias após o parto. Ao final das seis semanas acabam por se tornar mais leves e, em alguns casos, inexistentes. Caso isso aconteça, é aconselhável que fale com o seu obstetra.

Caso ache que a sua menstruação voltou, fica a nota de que, para quem amamenta, esse regresso só acontece seis meses ou mais depois do parto. Caso esteja a fazer uma alimentação à base de suplemento, é possível que o regresso seja após dois meses.

3. Mas o exercício físico está mesmo fora de questão? O sexo também?

Se teve uma vida ativa durante a gravidez, com a prática de exercício ao longo do tempo de gestação, é provável que tenha aprovação médica para fazer umas caminhadas ou exercícios de fortalecimento. Isto se, claro, não tiver sido submetida a uma cesariana ou a uma episiotomia mais severa. Aí tem de esperar pelo parecer favorável do médico.

E com o sexo acontece o mesmo. Ainda para mais, é provável que com as mudanças hormonais, noites mal dormidas, amamentação e novas rotinas, o seu interesse não seja tão sexual quanto isso. Ainda assim, ter vontade é normal, mas, com calma, as coisas regressam ao que já foram. Enquanto houver restrição médica ou física, certamente encontrará, com o seu parceiro, formas de se mimarem igualmente… interessantes!

O mote mantém-se: se dói ou é desconfortável, pare de o fazer.

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4. Já posso beber e comer tudo o que me apetece?

Se durante a gravidez todos os cuidados são poucos, durante a amamentação não será diferente. Lembre-se que o seu corpo está a trabalhar de forma extra para produzir o principal (e único) alimento do seu bebé. Beba muita água, seja rigorosa no que come, tente ao máximo não escapar as refeições e descanse sempre que possa.

Fale abertamente com o seu médico sobre os seus desejos em beber aquele copo de vinho durante um jantar em que, por acaso, o bebé até vos deixou comer descansados, sobre a vontade absurda de comer doces. Explique-lhe tudo e ouça o que o profissional de saúde tem para lhe dizer. Cumpra à risca e não vacile, pela sua saúde e a do seu bebé.

5. Mas até quando é que vou ter esta vontade de chorar?

As hormonas podem ser aborrecidas nesta altura. Foram muitas as mudanças e o corpo está a habituar-se ao seu novo “eu”. Costuma dizer-se que os primeiros meses após a maternidade são uma montanha russa de emoções e é verdade.

O permanente estado de alerta, o cansaço e as alterações hormonais podem dar aqui um empurrão nas suas variações de humor. Comunique ao seu médico como se sente, faça um diário onde regista os seus sentimentos e nunca, mas mesmo nunca, deixe de falar sobre o assunto!

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6. A questão que nem é bem questão…

Uma coisa que acontece a muitas mulheres e acaba por ter um simbolismo bonito, é a forma emotiva como acabam a consulta do pós-parto e, deste modo, viram mais uma página na sua vida. Agora como mães. Por isso, se ficar sensível nesta última consulta saiba que, também isso, é normal…

A verdade é que pensamos pouco nisso, mas, depois de praticamente um ano a visitar o consultório e a equipa médica de acompanhamento, fica a sensação de “e agora?” na altura da despedida. É estranha mas muito bonita esta relação que se cria com a pessoa que ajuda a mãe a trazer o seu filho ao mundo e, na verdade, chega a dar um nó na garganta quando chega a altura de dizer “adeus e obrigada” ou, em tom de brincadeira, “até ao próximo filho”!

Independentemente de todas as questões que aqui expusemos, existem, certamente, muitas outras na sua cabeça. O truque é o mesmo e será cada vez mais útil agora que é mãe: escreva tudo o que tem para perguntar ao médico! Acredite, dúvidas não lhe faltarão!

Referências:

https://www.cuf.pt/grandes-areas/maternidade/m/pos-parto

http://www.chts.min-saude.pt/mais-saude/a-mae-e-o-bebe-as-primeiras-semanas/puerperio-o-que-a-mae-deve-saber/

https://www.saudereprodutiva.dgs.pt/ficheiros-de-upload-diversos/pnvgbr-versao-resumo-pdf.aspx