Papel do pai no pós-parto | Décimo Mês

Para os papás: qual o seu papel no pós-parto?

Apesar de a mamã ser o centro da maioria dos conteúdos que escrevemos, a verdade é que o pai tem também um papel importante no décimo mês. E este papel não se cinge apenas ao apoio que pode prestar à mãe. Embora a mulher viva, desde o começo, o impacto físico da maternidade, a verdade é que o homem não é um mero espectador.

O cuidado em torno da mãe e da gestação, bem como a natureza das suas funções enquanto tal, colocam-na num papel mais próximo e ativo, mas é a ciência que nos diz que a presença do pai é essencial para um desenvolvimento saudável da criança. Nos meses que antecedem o nascimento, o acompanhamento às ecografias, o planeamento do quarto do bebé e o contacto com amigos e familiares interessados em saber como estão as coisas, são apenas algumas das preocupações que podem ficar a seu cargo. Para além disto, pode marcar presença nos cursos de preparação para o parto, mesmo nos módulos onde pensa não ser essencial. Não se esqueça que o seu suporte vai ser de extrema importância durante os meses que se seguem. Note que são os estudos que indicam que as mulheres que se sentem mais apoiadas pelos pares nos primeiros meses de vida do bebé, têm, regra geral, uma experiência mais positiva. Equipe-se com toda a informação possível.

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É também ao pai que cabe partilhar as atenções. Apesar de ter agora um novo papel para desempenhar, há que redobrar os cuidados e atenção com a mãe, que atravessará novos ciclos de alterações hormonais. É por isto que o papel do pai é mais complexo do que parece à partida, uma vez que, para além de estar a tentar estabelecer uma relação com o bebé, que durante a gravidez foi naturalmente mais abstracta, terá também de apoiar a mãe, não só nas tarefas rotineiras que advêm desta nova condição de parentalidade, mas sobretudo no amparo psicológico que possa ser necessário. Relembre a mamã de como ela é bonita, ajude-a a levantar-se da cama e de cadeiras, enquanto se recupera fisicamente do parto, assuma as lides da casa e registe memórias. Vai agradecer ao seu eu do passado quando, mais tarde, poder desfrutar delas.

 

Abrace o bebé, dê-lhe banho, troque fraldas, esteja presente durante a amamentação. Tudo isto vai ajudá-lo a construir uma relação com a criança, com a mãe e com a sua nova realidade parental. Para além disso, a disponibilidade para desempenhar estas tarefas e as demonstrações de interesse por todos os momentos “chatos”, ajudarão a diminuir o stress da mãe bem como a fazê-la sentir-se segura. Distribua abraços. Oiça. É muito importante que a mãe saiba que não tem de lidar com as suas frustrações sozinha.

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Não há uma fórmula para cuidar de um filho. Seja produtivo e comunique abertamente sobre as suas dúvidas e ideias. Aconselhe-se. E tudo isto se torna ainda mais relevante para pais de primeira viagem, que naturalmente podem sentir-se perdidos no meio de tanta novidade. Ninguém nasce ensinado, pai. É ok não saber muita coisa.

Socialmente falando, o papel do pai tem cada vez mais relevância. Não nas suas concepções tradicionais, mas sobretudo no que diz respeito aos contactos prematuros que podem começar a estabelecer uma plataforma de relacionamento emocional com o filho.

Por último, é também importante que se oiça e que dê espaço aos seus sentimentos. Os chamados baby blues são mais frequentes nas mulheres, mas não são inexistentes nos pais. No domínio emocional, há também que contar com o chamado complexo de Laio, que consiste no desenvolvimento de ciúmes do bebé. Apesar de, à distância, poder parecer estranho, a verdade é que existe a possibilidade de desenvolver uma resposta inconsciente e comum face ao facto de o bebé ser agora uma figura de destaque para a mãe. Associado ao desconforto e à incerteza, isto pode gerar sensações de abandono ou rejeição. Aceite isso como natural, mas procure apoio psicológico e não fuja de conversas difíceis. Comunique abertamente com a mãe - esta é a chave para que tudo se normalize num instante.

Referências:

https://observador.pt/2019/03/19/gravidez-parto-e-pos-parto-momentos-em-que-o-pai-tambem-e-importante/

https://revistacrescer.globo.com/Gravidez/Pos-parto/noticia/2019/06/pos-parto-presenca-do-pai-diminui-em-26-o-diagnostico-de-ansiedade-das-maes.html

https://www.famivita.pt/envolvimento-do-pai-no-pos-parto/

https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-21002012000600014&lng=en&tlng=en