Não há nada de errado com o seu corpo | Décimo Mês

Não há nada de errado com o seu corpo

A cultura da imagem, do corpo perfeito e dos padrões de beleza, é pouco amiga da realidade. Principalmente depois do parto, quando a nossa imagem tende a não corresponder àquilo que os media tratam como a silhueta média da população mundial - não é. Porque por muito que tenhamos consciência de que os corpos mediáticos só o sejam por motivos de marketing, a verdade é que é difícil ligar o raciocínio lógico ao turbilhão de emoções que sentimos numa altura como esta. E quando estamos a lidar com fraldas, poucas horas de sono, choros e tudo o mais que a maternidade acarreta, ainda mais complicado se torna aceitarmo-nos como somos. O parto tem um impacto físico no nosso corpo e aceitá-lo é meio caminho andado para que saibamos lidar com isso.

Se estiver determinada e comprometida em recuperar a sua forma física anterior, tudo bem. Mas é igualmente válido que, neste momento, a sua cabeça esteja noutro sítio, tal como é válido que se sinta confortável com o corpo que o parto lhe deu. O essencial é que se sinta bem, seja em que forma for.

Image

As redes sociais dificultam a tarefa, contudo. Ao impingirem-nos planos milagrosos de treino, estes conteúdos estão a fazer pouco mais do que prejudicar as nossas próprias expectativas. É pouco realista, no mínimo, pensar que uma mulher, que atravessa uma transformação hormonal, dores físicas e oscilações emocionais constantes, esteja disposta a submeter-se a todo esse processo. Honre o seu corpo. Seja ele qual for. E dê tempo ao tempo. Toda a sua estrutura esteve sob grande stress e pressão ao longo dos últimos nove meses, tanto por conta da gestação, como por conta do parto.

Nesta altura, mais importante do que buscar o corpo que quer ter é aprender a viver com o que tem. Este novo corpo é o mesmo onde cresceu o seu filho, ao longo dos últimos meses; o mesmo que o colocou no mundo. Ele passou por muitas mudanças e vai continuar a passar durante as próximas semanas. Admire-o pela força que lhe dá. Por lhe permitir carregar uma criança nos braços, por lhe permitir alimentá-la e reconfortá-la e por continuar a deixá-la levantar-se, dia após dia, mesmo que os deveres não tenham misericórdia do seu cansaço. Nada disto é sinónimo de um tipo específico de corpo.

Mexa-se ao seu ritmo. Volte a correr, a nadar ou a fazer yoga, mas apenas quando se sentir confortável para tal. Não sinta pressão. Há outras prioridades que exigem a sua presença, neste momento. No pós-parto, a consequência que deve buscar com o exercício é puramente funcional. Mexa-se para ter força, para desentorpecer os músculos. Alongue porque vai passar muito tempo na mesma posição, segurando o bebé, alimentando-o, embalando-o, etc. Não treine para encaixar num molde.

Lembre-se que o seu corpo é incrível e poderoso, tal como é. Convença-se disso. É o melhor que pode fazer por si.

Image