Gravidez e maternidade: o que separa os mitos das verdades?

Gravidez e maternidade: o que separa os mitos das verdades?

A gravidez é um fantástico mundo novo. Está recheada de experiências e sentimentos que nos tomam conta do corpo, da mente e da rotina. E ainda que as mulheres que engravidam pela segunda e terceira vez já estejam familiarizadas com alguns desses processos, nunca é demais sublinhar que nenhuma gestação é igual. É verdade que a ilusão e o medo se multiplicam por trinta na primeira vez, mas a expectativa daquilo que é ter um bebé muda consideravelmente depois do primeiro filho. Afinal, nem tudo são rosas. As olheiras, os cabelos desarranjados e o cansaço emocional e físico arranjam sempre maneira de aparecer. Tal como as questões, muitas vezes despertadas por mitos bizarros do tempo das nossas avós. Por isso, e para que durma descansada nesta fase mais atarefada da sua vida, decidimos pôr termo a algum do conhecimento popular que, sem contraponto científico, já induziu muita gente em erro. Afinal, qual foi o médico que lhe disse que não podia beber café durante a gravidez?

mulher grávida

MITOS SOBRE A GRAVIDEZ

1 - As grávidas têm de comer por dois. 

A gravidez é uma boa desculpa para comer duas sobremesas em vez de uma, mas não há qualquer fundamento científico na ideia de que tem de ingerir o dobro da quantidade durante a gestação. Muito pelo contrário. Para além de ter de haver cuidado redobrado na dieta, também é essencial não abusar nas porções, uma vez que o excesso de peso favorece o aparecimento de diabetes gestacional e hipertensão. O que também pode ser provocado pela falta de cuidado na alimentação é o sobrepeso do bebé, que aumenta a probabilidade de cesariana.

2 - As grávidas não podem pintar o cabelo.
Mais ou menos. É verdade que a prática não é muito aconselhável, especialmente nas primeiras 16 semanas de gestação, mas depois disso, o risco cai substancialmente. A ciência diz que apenas uma quantidade ínfima de substâncias tóxicas provenientes dos produtos para coloração do cabelo é absorvida pela pele e, por isso, não representam uma ameaça para a saúde do bebé. O que é dispensável, neste caso, é mesmo o cheiro característico deste tipo de produtos, que por ser demasiado intenso pode acabar por causar náuseas à grávida. Tente escolher sempre produtos sem amoníaco e faça a coloração em espaços bem ventilados.

3 - Bebés com muito cabelo provocam mais azia durante a gravidez.
A azia é provocada pela acidez estomacal, que pode sofrer alterações durante os meses de gestação. A culpa é das hormonas, para variar um bocadinho, e não há qualquer relação com os cabelos do bebé.

4 - É possível saber o sexo do bebé pelo formato da barriga da mãe.
A barriga vai ganhando novas formas à medida que o bebé cresce. Não há nada nas raparigas, nem nos rapazes, que faça a barriga ganhar uma forma específica. Para além do tamanho, apenas a posição do bebé no útero e o formato da bacia óssea da mulher influenciam a forma da barriga da mãe.

mulher grávida

SOBRE A MATERNIDADE

1 - A mãe liga-se instantaneamente ao bebé.
A natureza humana tem formas muito particulares de atuar e é por isso que é difícil assumir que a ligação entre mãe e bebé se dá de forma instantânea assim que termina o parto. No que diz respeito às emoções, não há ciência exata que nos valha. Tal como acontece noutras relações humanas, é normal que o amor entre ambos demore a desenvolver-se.

2 - O instinto maternal é uma coisa inata.
O instinto maternal não é um super poder. Parece, mas não é. E é por isso que não só não se manifesta da mesma maneira em todas as mães, como também pode demorar algum tempo a desenvolver-se em algumas mulheres. Se a mamã não teve oportunidade de contactar com bebés antes do parto, é possível que existam alguns pormenores com os quais não esteja familiarizada, dificultando o julgamento de algumas situações. Leve o seu tempo a aprender e aconselhe-se com que mais percebe do assunto.

3 - Vou conseguir fazer tudo sozinha.
Na verdade, não se trata de conseguir ou deixar de conseguir. Todas as mães precisam de ajuda em algum ponto do processo e o desenvolvimento de uma criança pode beneficiar muito com isso. Crie rotinas com a sua cara-metade e aceite toda a ajuda que aparecer. As mães querem-se o mais calmas e tranquilas possível e a sabedoria popular já o sabe há muito tempo. Nunca ouviu dizer que “é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança”?

4 - O stress atrapalha a produção de leite.
Verdade. A produção de leite materno está dependente de duas hormonas, a prolactina e a ocitocina, sendo que esta última é altamente influenciada por fatores emocionais. Isto significa que a produção pode oscilar, consoante o estado emocional da mãe. No que depender de si, tente manter-se o mais tranquila possível.

5 - A vida da mãe tem de girar em torno do bebé.
Em certa medida, a sua vida vai ser aquilo que fizer dela. Obviamente que há duas mãos cheias de variáveis que fogem do seu alcance, mas naquilo que lhe competir, faça por ter uma vida cheia de estímulos. Satisfaça os seus próprios desejos e sonhos. É importante que se mantenha realizada e em paz consigo própria para que possa contagiar o seu bebé com as melhores energias. Para além disso, só assim conseguirá garantir a disposição necessária para lidar com as responsabilidades da maternidade. O amor entre mãe e filho envolve compromisso, mas o mais difícil é conseguir desprender-se para ser livre e exaltar a sua vontade de vez em quando. A maternidade também é difícil por isso.